Profissionais da UTI Convid falam sobre a realidade do setor

Profissionais da UTI Convid falam sobre a realidade do setor
Na manhã de quarta-feira (02), a Assessoria de Comunicação da Santa Casa ouviu o corpo clínico da UTI COVID para oportunizar uma maior proximidade da comunidade com a realidade interna da UTI COVID e, assim, não gerar dúvidas ou insinuações dúbias sobre o que, de fato, ocorre na realidade. A Santa Casa está sempre buscando, em 166 anos, a maior transparência e otimização dos serviços.
 
Fizemos algumas perguntas aos médicos que estão presentes no corpo clínico da UTI COVID. Perguntas como qual a função desse setor; o corpo clínico que atende na UTI Covid hoje; quais procedimentos são feitos com pacientes de covid na UTI; protocolos e diretrizes utilizados; rumores que surgem e acabam por atrapalhar o andamento do trabalho; procedimentos adotados pelo Dr. Luis Alderette que foram alvo de distorções; bem como demais considerações destes profissionais reconhecidos pelos seus trabalhos e experiências.
 
Na oportunidade, conversamos com o Médico Dr. Guilherme Oliveira, Coordenador da UTI Geral, que comenta que passou por várias situações onde atendeu pacientes junto com o Dr. Alderette, e que o mesmo sempre trabalhou, bem como os outros colegas, conforme as rotinas do hospital, sempre executando sua função da melhor forma. Quando o paciente entra em parada, explica Guilherme, normalmente esse paciente permanece no respirador durante a parada, existindo todo padrão de atendimento comum, onde as pessoas automaticamente já fazem isso, porque fazem isso com muita frequência. Na parada, começam a atuar médicos e plantonistas, e quando um médico está como coordenador da parada, ele fica observando a atuação da equipe, observando o monitor e, normalmente, ele coordena a parada, ele fica parado frente ao leito, coordenando a equipe para trabalhar. Cada um tem a sua função na parada respiratória. O médico, normalmente, coordena a parada. Ele fica observando a equipe trabalhar e coordenando cada medicação que tem que ser aplicada e cada troca do pessoal. Portanto, o Dr. Alderette, na ocasião comentada, age assim como todos os colegas agem, fica observando o monitor, observando se o procedimento de massagem e de aplicação de medicação está sendo feito conforme padronizado.
“Ninguém fica olhando o paciente parar sem fazer nada, é um trabalho exaustivo. Muitas vezes a equipe fica uma hora massageando o paciente, aplicando medicamentos, controlando o tempo pra que os medicamentos sejam aplicados em tempo adequado. Claro. Ele não estava agindo, mas ele estava coordenando a equipe que estava ali”.
 
Falamos também com o Dr. Luiz Carlos Nunes, que nos contou que geralmente os pacientes instáveis, os pacientes mais graves, são pacientes que precisam de ventilação mecânica. Existe um setor de isolamento, que é o setor clínico, onde esses pacientes menos graves internam, mas quando o paciente desestabiliza, vai para a UTI COVID. Atualmente, são 4 Médicos na UTI COVID, sendo o Dr. Luiz Carlos Nunes, Dr. Luis Alderette, Dr. Paulo Pizarro e o Fisioterapeuta Giovani Camargo, que auxilia de uma forma espetacular em relação ao serviço de ventilação mecânica. Em relação ao Dr. Alderette, o Dr. Luiz Carlos fala que sua confiança no mesmo é muito grande, dirigindo-se a ele como uma pessoa formidável. Juntos, participaram de várias paradas cardíacas, e na parada em questão publicada em rede social, o médico foi muito responsável, agindo da mesma forma que todos os seus colegas agiriam.
“Existem fotos mostrando o monitor do respirador e o monitor está acoplado, de forma nenhuma está fora do paciente.” O médico fala, ainda, que é muito desconfortável para eles esta situação de distorções em redes sociais.
 
Em conversa com o Fisioterapeuta Giovani Camargo, o mesmo conta que faz a parte da ventilação mecânica, a regulagem dos respiradores inicial juntamente à equipe, sendo este um trabalho dinâmico. Todas as manhãs é feita uma regulagem, onde fica organizada a rotina da ventilação mecânica, tanto invasiva como não invasiva. Isto tudo, claro, baseado em gasometrias e testes que são feitos em pacientes no respirador. A função de Giovani é organizar a questão das ventilações mecânicas, para deixar num padrão de regulagem para funcionamento e novos testes. Assim como também contam com a indicação das ventilações não invasivas, que são o uso de respiradores de parede que busca evitar a intubação de pacientes. Todo este trabalho, ressalta Giovani, é feito em equipe. Sobre a questão do Dr. Luiz Alderette, Giovani diz ser uma atuação fantástica, no sentido de equipe, pois sempre que tem qualquer tipo de alteração ele entra em contato, sendo uma equipe muito boa. Giovani afirma, ainda, sobre as fotos que foram postadas em rede social:
“Não teve, não tinha vazamento de ar, o respirador, quando ele não tá conectado, em sistema fechado, ele tem um escape de ar, ele entra o ar, mas não aparece a curva de saída, porque, na realidade, não tem saída. Ele não consegue fazer a leitura, isso é um ciclo fechado, o respirador emite a pressão, se a pressão entra pra dentro do paciente e sai, faz a leitura na entrada e na saída. Então, quando ele não está conectado ele vai ter uma entrada, uma leitura de entrada e não tem uma leitura de saída. Então, isso vai aparecer nos gráficos, não é o que mostra aquelas imagens que a gente lê.”
Segundo o Fisioterapeuta, mesmo com discordâncias, tudo sempre é resolvido em equipe, com prescrições debatidas e casos clínicos discutidos, inclusive com o médico que veio a postar conteúdos em sua rede social.
 
O Dr. Ary Carnielleto Junior também participou desta conversa. Médico formado em 1997 pela UFPEL, Cardiologista com propriedade para falar sobre suporte avançado de cardiologia, afirma que existe um protocolo da Sociedade Americana de Cardiologia, de um programa de ensino intensivo para todos os médicos e enfermeiros que queiram fazer isso de forma correta, ensinando como lidar frente a uma parada cardíaca, que é o ponto máximo do evento cardiovascular. Mesmo se renovando em determinados períodos, há algumas sequências que não se modificam. Inclusive, o Dr. Ary nos apresenta os livros do último curso que a Santa Casa, há três anos atrás, pagou à sua equipe médica. Normalmente para realizar este curso é necessário ir a Porto Alegre e São Paulo, e a Santa Casa preocupou-se em trazê-lo até seus profissionais.
Assim, a maioria dos enfermeiros atuantes hoje na UTI geral e no pronto atendimento, bem como os Médicos do Pronto Atendimento fizeram esse curso. O Dr. Ary nos diz que nenhum respirador vai conseguir dar o suporte ventilatório no momento em que é feita a pressão no tórax pra fazer massagem cardíaca, pois o respirador automaticamente se desliga, ele não dá comando nenhum. Logo, isso tem que ser feito via manual, via bolsa, onde o assistente faz a ventilação de forma manual, sem o respirador. Ele nos coloca que o colega que vai atender uma parada cardíaca tem que desligar o paciente do respirador, esse é o procedimento padrão baseado na Sociedade Americana de Cardiologia.
“O nosso trabalho é feito com zelo pelos nossos profissionais e expô-los, questionando sua conduta em rede social, é desrespeitoso.”
 
PARA FINALIZAR…
Através destes depoimentos, buscamos mostrar sempre a verdade sobre os fatos e sobre o árduo trabalho para salvar vidas, especialmente em meio a uma pandemia, que pegou todos nós de surpresa e tivemos que restaurar e aplicar práticas avançadas, sempre buscando o melhor para os pacientes.
 
Santa Casa de São Gabriel, sempre com a comunidade!